Bases Metodológicas:
Ecoalfabetização
- A Ecoalfabetização aborta conceitos baseados na ecologia, nos padrões e processos pelos quais a natureza sustenta a vida.
- Um dos princípios metodológicos que será adotado neste projeto dentro da Ecoalfabetização será o conceito de Sistema. Em toda natureza encontramos estruturas multiniveladas de sistemas dentro de sistemas. Cada um deles forma um todo integrado dentro de limites, ao mesmo tempo que são parte do todo maior .
- Neste sentido iremos considerar cada estudante como um nível deste Sistema, que está integrado em uma Escola, dentro de uma Comunidade Escolar, que está interligado a uma Cidade que tem seus ecossistemas envolvidos e dentro de um sistema maior que é a Bacia Hidrográfica.
- Outro conceito da Ecoalfabetização que está em confluência a este projeto é a Visão Sistêmica. Segundo Learning in the Real World (2000) a alfabetização ecológica significa ver o mundo como um todo interligado.
- Isto será aplicado no projeto no que tange a busca da conservação e preservação dos recursos naturais (solo, água e fauna). As ações de sensibilização voltadas ao uso adequado do solo (proteção das APPs, nascentes, erosões e assoreamento) irão afetar diretamente o aumento na quantidade e qualidade da água e como consequência, um maior equilíbrio ecossistêmico e aumento da fauna local.
- Outro fundamento da Ecoalfabetização são as ações baseadas na Experiência do mundo natural. Este projeto será baseado em saídas de campo da Escola para ambientes naturais, APPs, nascentes, fragmentos de mata nativa, para que os jovens possam em contato com estes locais despertar a alfabetização ecológica em cada Ser, compreendendo os processos de sustentabilidade que existe na natureza e que garante sua existência e sobrevivência.
- “Ecossistemas, no mundo natural, são comunidades sustentáveis de plantas, animais e microorganismos. Dentro destas comunidades ecológicas, não há resíduos – o resíduo de uma espécie se torna o alimento de outra espécie. Assim, a matéria circula continuamente pela teia de vida. A energia que dirige estes ciclos ecológicos vem do sol e a diversidade e cooperação, entre os membros de uma comunidade, são a fonte do poder de recuperação da comunidade.” - Learning in the Real World (2000)
- Trabalhando ainda dentro da Ecoalfabetização, temos a visão de Redes, sabe-se que todos os membros de uma comunidade ecológica são interligados em uma vasta e intricada rede de relacionamentos: a teia da vida. A estabilidade de um ecossistema depende da complexidade de sua rede de relacionamentos; em outras palavras, de sua diversidade.
- Sobre este ponto sabemos que este projeto irá influenciar também, além de seu sistema diretamente envolvido, os proprietários rurais da região, já que as ações serão realizadas principalmente em propriedades rurais que tem córregos para serem recuperados. Portanto com a força das crianças que multiplicarão os conhecimentos sistêmicos espera-se causar uma mobilização dos proprietários rurais que são parte desta Rede que envolve o município, as micro-bacias, a sub-bacia e a Bacia hidrográfica do Tietê.
METODOLOGIA
Público Multiplicador
- Segundo o PDEA-TJ (2017), o público multiplicador é quando o participante é ator que atua, ou pretendem atuar, com educação ambiental ou na melhoria das condições ambientais a partir de suas atividades profissionais ou comunitárias. Portanto, um dos objetivos específicos deste projeto é que o estudante se transforme em agente multiplicador, disseminando os conhecimentos adquiridos entre seus familiares, amigos, vizinhos, comunidade rural, etc.
Alguns atores como Branco (2007) e Almeida (2007) apud Menezes (2012), consideram no âmbito da EA a criança como um importante agente multiplicador, no processo da disseminação dos conceitos ambientais e na sustentabilidade da sociedade.
- Em 1996 a Coordenadoria de Educação Ambiental do MEC, lançou um Curso de Multiplicadores em Educação Ambiental, utilizando a metodologia de “Proposta de Participação - Ação para a construção do conhecimento”.
PROPACC, Proposta de Participação - Ação para a construção do conhecimento.
A Proposta de Participação- Panorama da Educação Ambiental no Ensino Fundamental Ação para a Construção do Conhecimento (PROPACC) consiste numa metodologia matricial que conduz à compreensão crítica e abrangente dos sistemas ambientais, suas inter-relações, problemas, potencialidades e sua aplicação na Educação Ambiental.
A PROPACC como método de capacitação em Educação Ambiental fundamenta-se em uma reelaboração teórica e prática à luz de três grandes perspectivas teóricas emergentes:
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O construtivismo num sentido amplo, como processo individual e social de construção do conhecimento e dos processos de aprendizagem.
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A concepção de uma perspectiva complexa da realidade, do conhecimento e dos processos de ensino-aprendizagem.
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A teoria crítica, superadora da visão técnica e instrumental, direcionada para a construção de novas formas de racionalidade.
A aplicação da PROPACC, como proposta de construção do conhecimento e da afetividade, implica diferentes momentos que poderiam ser sintetizados da seguinte maneira:
1. Momentos construtivos: identificação dos problemas socioambientais; apresentação e discussão dos grupos; reflexão crítica.
2. Momento reconstrutivo: discussão entre participantes; estabelecimento de consensos.
3. Novo momento construtivo: em outro patamar de compreensão das questões trabalhadas.
A PROPACC, do ponto de vista conceitual, é uma metodologia matricial, as matrizes, construídas e reelaboradas pelos participantes, perseguem um processo em espiral de discussão crítica dos conhecimentos prévios possuídos pelos estudantes.